Webinário

GIZ promove webinário sobre gênero com foco em gestão de resíduos e economia circular

Por ProteGEEr, publicado em 02.12.21, última modificação em 02.12.21

No dia 25 de novembro, a GIZ em parceria com a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (ABES), promoveram um evento para discutir perspectivas sobre as dimensões sociais e de gênero no setor de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU). Para compor o diálogo, estiveram presentes representantes do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), Associação Brasileira de Engenharia Sanitária Ambiental (ABES/DF), Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Regional (Unido), além de uma representante do segmento das catadoras.

Segundo dados do Movimento Nacional dos Catadores Recicláveis (MNCR), cerca de 70% dos catadores são mulheres e a maioria delas são negras e periféricas. Priscila Santos, consultora de gênero e mudanças climáticas, ressalta que, neste contexto de vulnerabilidade social, a gestão integrada de resíduos pode ser um grande instrumento para mitigar desigualdades “A gente precisa entender que abordagens sociais e de gênero podem ser aplicadas em todas as etapas da gestão de RSU”, relatou ela.

Nesse sentido, uma das falas mais emocionantes da noite foi o depoimento de Anne Caroline, catadora de resíduos e digital influencer que atua na conscientização sobre reciclagem nas redes sociais. Ela ressaltou a dificuldade que mulheres enfrentam nessas atividades, mesmo sendo a maioria no setor: ”Colocar a nossa carroça na rua é um ato de protesto [...] É uma profissão altamente masculina, apesar dos dados. Uma mulher na rua, catando resíduos, tem que se fazer respeitar”, contou.

Representando o setor público regional, Adriana Araújo, chefe do Meio Ambiente da Prefeitura de Conceição das Alagoas (MG), apresentou sua experiência como mulher trans na gestão pública e destacou a importância da representatividade de gênero no setor. “Nós precisamos disso. Precisamos de mais espaços e oportunidades”, completou.

Para diversificar os pontos de vista na mesa de discussão, o representante da Unido, Luís Felipe Colturato, também foi convidado para o debate. Colturato ressaltou que, em relação à gestão de RSU é fundamental sair de uma visão “pega e descarta” para um modelo de economia circular que gere trabalhos dignos para todo os envolvidos na cadeia. Helena Buys, representante do MDR, destacou que a universalização do saneamento é fundamental para diminuir as desigualdades.

Outro momento importante foi a fala de Heliana Kátia, vice-presidente da Abes. Ela chamou atenção para as condições muitas vezes desumanas a que são submetidos homens e mulheres que atuam na ponta como catadores de resíduos: “Nós temos a obrigação de nos indignarmos, nos mobilizarmos e não aceitarmos a situação tal qual ela existe”.

Para fechar o evento, a assessora técnica do ProteGEEr, Mariana Silva, falou sobre quais seriam os possíveis caminhos para que governos locais, setor privado, academia e a sociedade civil atuem em conjunto a favor da igualdade social e de gênero no setor de RSU. “O ponto de partida é entender que os municípios não são os únicos responsáveis. É fundamental compreender que existem limitações de recurso e, por isso, as parcerias são indispensáveis para fortalecer a agenda de resíduos voltada para essa pauta”, pontuou.

Mais de 50 pessoas presentes no evento online (70% mulheres) participaram ativamente no chat, trazendo questões e reflexões importantes de como a pauta de gênero deve ser incluída para promoção de uma gestão integrada e sustentável dos resíduos.